Armadoras Italianas no Porto de Santos: a NGI
O Porto de Santos, o mais importante e antigo do Brasil, sempre atraiu inúmeras companhias armadoras, seja para atividades de carga e descarga, seja para o transporte de passageiros, incluindo imigrantes e viajantes em trânsito.
Entre as várias companhias de navegação que operaram no Porto de Santos desde o final do século XIX, destacaram-se diversas companhias italianas. Este artigo compõe uma série de textos que abordam especificamente as principais armadoras italianas que deixaram sua marca navegando nas águas santistas, legando um valioso acervo de histórias que ecoaram por gerações.
Neste contexto, exploramos a Navigazione Generale Italiana, carinhosamente conhecida como NGI.
A renomada companhia internacionalmente conhecida como NGI, destacava-se pela emblemática embarcação “America”, teve sua origem em 1881 com o imponente nome de Navigazione Generale Italiana Societá Riunite Florio e Rubattino. Como sugeria seu nome, resultou da fusão de duas tradicionais empresas italianas de navegação, I & V. Florio, de Palermo, e Societá per la Navigazione a Vapore R. Rubattino, de Gênova.
Os diretores destas respectivas empresas, Ignazio Florio e Raffaele Rubattino, buscaram a aprovação da Marinha Real Italiana para criar essa nova companhia. A aliança foi oficializada com a assinatura do decreto pelo rei Umberto I em 23 de julho de 1881, estabelecendo Roma como sede social e os portos de Gênova e Palermo como sedes operacionais.
O capital social, fixado em 100 milhões de liras italianas, foi distribuído entre Rubattino, Florio e o Credito Mobiliare Italiano. Ao incorporar os ativos das empresas Florio e Rubattino, a NGI tornou-se a segunda maior empresa de navegação na bacia mediterrânea.
Os distintos navios da NGI, reconhecidos pelas características cores de casco preto e chaminés com faixa branca, exploraram destinos ao redor do mundo, conectando portos desde o Mediterrâneo até as Américas e o Pacífico. Vinham estas embarcações muitas vezes a Santos.
No início do século XX, a Itália carecia de uma política uniforme de expansão marítima. A NGI buscou se estruturar e, em 1901, adquiriu o controle da La Veloce, rebatizada como La Veloce Navegazione Italiana a Vapore. Em 1924, a La Veloce foi incorporada à NGI.
Sob a liderança de figuras proeminentes como Domenico Gallotti, Dionigi Biancardi, Domenico Brunelli e Agostino Crespi, a empresa demonstrou vitalidade ao estabelecer o primeiro Sindicato de Marítimos Italianos (1904), uma companhia de seguros para armadores (1907) e um Sindicato de Armadores (1908). Essas iniciativas solidificaram a posição da NGI no cenário internacional do transporte marítimo.
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Enviado por:
Sergio Willians dos Reis



