A Saga dos Adorno: Pioneiros da Produção Açucareira em Santos
Por mais de dois séculos, a família Adorno deixou uma marca indelével na República de Gênova, guiando destinos e conquistando poder através de eleições e liderança. Contudo, a queda abrupta começaria em 1528, quando dissidentes liderados por Andrea Dória invadiram Gênova, expulsando os Adorno do poder e forçando-os a buscar refúgio em Portugal.
Do Poder à Queda: Gênova e o Exílio Português
A história da família Adorno na República de Gênova começou em 1321, com Janfranco Adorno eleito ao posto de ancião. Ao longo dos anos, membros da família alcançaram o ápice do poder, ocupando a posição de doge e consolidando o domínio genovês. Contudo, em 1528, a ascensão de Andrea Dória marcou o fim do reinado Adorno, resultando em um exílio que levaria a família a novos horizontes.
Refugiando-se em Portugal, os Adornos, apesar de perderem seu status nobre, foram acolhidos pelo Rei D. João III. Reconhecidos como judeus devido às suas conexões com armadores e bancos judaicos, eles se converteram ao cristianismo como “novos cristãos” para garantir sua permanência em solo português.
A Virada para o Brasil e a Produção Açucareira
Diante da impossibilidade de retornar ao poder em Gênova, os Adornos voltaram-se para o empreendedorismo no Reino de Portugal. Investindo em plantações de cana-de-açúcar na Ilha da Madeira, obtiveram êxito financeiro, solidificando sua experiência na produção açucareira.
Em 1530, receberam notícias sobre os planos de colonização do Brasil pelo Rei D. João III, centrados na cultura da cana-de-açúcar. Aproveitando a oportunidade, os Adornos se ofereceram para contribuir com seus conhecimentos nesse ramo. Ao incorporarem a armada colonizadora de Martim Afonso de Sousa em 1530, trouxeram consigo maquinário e mudas de cana-de-açúcar, marcando o início da produção açucareira nas terras de São Vicente.
Estabelecendo-se às margens do ribeirão de São Jerônimo, os irmãos Adorno ergueram um engenho sob a invocação de São João, concorrendo com outros engenhos da região. Assim, em Santos, a família nobre de Gênova construiu uma nova história, contribuindo para a civilização santense ao lado de outros colonos.
Líderes e Benfeitores: Adornos em Destaque
Dentre os membros proeminentes da família, José Adorno destaca-se como uma figura influente em Santos. Provedor da Santa Casa em 1560, José foi um grande benfeitor dos jesuítas, contribuindo para a construção do Colégio dos Meninos de São Vicente. Sua importância também se estendeu à expulsão de piratas franceses na Guanabara, apoio à fundação do Rio de Janeiro e construção da Capela da Graça.
Antônio Adorno, por sua vez, foi capitão de infantaria e alcaide-mor da vila de Bertioga. Nomeado por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, ele desempenhou papéis cruciais na defesa do povoado contra ataques indígenas, evidenciando a influência e habilidades militares dos Adornos.
Legado Duradouro
O legado da família Adorno transcendeu gerações, moldando não apenas a história de Gênova, mas também contribuindo significativamente para o desenvolvimento de Santos e do Brasil. Sua jornada, desde a nobreza genovesa até a liderança pioneira na produção açucareira, é um testemunho da resiliência e adaptabilidade dessa linhagem que encontrou, no Novo Mundo, um caminho para continuar sua saga.
Enviado por:
Sergio Willians dos Reis



