Como era a “Itália” quando o Brasil foi descoberto
Se em 1500 o Brasil era apresentado como “o novo mundo”, a península itálica já trazia em sua bagagem milênios de história, notadamente após a fixação dos etruscos em sua região central. A península foi palco para a ascensão e queda dos impérios Romano e Bizantino, vivenciou a Idade Média e foi o berço do Renascimento, com suas fases no “Trecento”, “Quattrocento” e Cinquecento e a consequente transição para a Idade Moderna.
Ao longo do século XV, enquanto o Brasil estava “por nascer”, a península itálica “paria” grandes personalidades do “Quattrocento”, o segundo período do Renascimento, como os artistas Massaccio (1401-1428), Fillippo Lippi (1406-1469), Piero della Francesca (1410-1492), Antonio Pollaiuolo (1433-1498) e Andrea Verrocchio (1435-1488).
Andrea Verrocchio foi escultor e um dos pintores mais influentes do “Quattrocento”. Ao longo da sua carreira, teve como seus alunos grandes nomes do “Cinquecento”, como Sandro Botticelli (1445-1510), Pietro Perugino (1446-1523), Domenico Ghirlandaio (1449-1494) e Leonardo da Vinci (1452-1519), além de ter influenciado Michelangelo Buonarrotti (1475-1560).
No campo geopolítico, foi nos últimos 50 anos do século XV e estendendo-se depois pelo século XVI, que a península itálica viu consolidar o sistema de estados regionais, sendo os principais os ducados de Savoia e de Milão, as repúblicas de Gênova, Veneza, Florença e Siena, os Estados Pontifícios e os reinos de Nápolis e Sicilia. Também nessa época, de 1494 a 1559, a península itálica enfrentou inúmeros confrontos contra grandes potências europeias da época, especialmente a Espanha e a França. Com exceção de Veneza que preservou a sua independência, os demais passavam por períodos de dominação estrangeira.
Ao confrontarmos diversos eventos no Brasil e na futura Itália em 1500, nos sentimos ainda mais próximos, a despeito de todas as diferenças. Estávamos, tanto a “colônia portuguesa” como a “península itálica” num processo de grande transformação que se consolidaria nos três séculos vindouros, até estarmos definitivamente entrelaçados pelo que virá a ser a “Grande Imigração”, na segunda metade do século XIX e primeiros anos do século XX. E nos perguntamos, desde quando nossos caminhos se cruzaram?
Se em 1500 a península itálica fragmentada atravessava confrontos e disputas por poder, o Novo Continente recebia a expedição de Pedro Álvares Cabral. Também foi nesse começo de século XVI que o Brasil foi visitado por um famoso fiorentino, o mercador e cosmógrafo Amerigo Vespucci. Segundo as cartas de Vespucci a Pier Francesco Medici, descrevendo a viagem ao Brasil em 1501-1502 a serviço do Rei D .Manuel, a expedição partiu de Lisboa em maio de 1501, fez uma parada em Cabo Verde e após meses de navegação, alcançou, percorreu e nomeou paragens do litoral brasileiro, numa tarefa de cartografia. Desta feita, tendo em mãos o calendário litúrgico, Vespucci nomeou a Baia de Todos os Santos em 01 de novembro, Baía do Salvador em 25 de dezembro, a Ilha de São Sebastião em 20 de janeiro e o porto de São Vicente em 22 de janeiro. Provavelmente, este teria sido o primeiro registro de um itálico na Baixada Santista.
Enviado por:
Giany Gonze Tellini



