Casa Picone: Uma Jóia do Comércio de Café em Santos
No panorama comercial de Santos no início do século 20, destacou-se a Casa Picone, uma das empresas mais tradicionais da cidade, estabelecida em 1902 por Nicolau Picone, um dos poucos cidadãos italianos à frente de um negócio de comércio de café. Inicialmente, a firma operou sob o nome pessoal de seu fundador até 1915. Esse ano marcou um ponto de virada, quando Jacyro Picone, seu filho, incorporou-se à empresa como sócio. Consequentemente, a razão social mudou para Picone & Cia., uma denominação que se manteve até 2 de setembro de 1918, quando evoluiu para “Casa Picone”.
Com um capital robusto de 500 contos de réis (equivalente a R$ 12,5 milhões nos dias de hoje), a firma estabeleceu seus escritórios estrategicamente na Praça Azevedo Junior, nº 21, próximo ao porto de Santos, num local ideal para o seu ramo de negócios. Como comissária, a empresa recebia do interior grandes lotes de café, comercializados localmente conforme as práticas do mercado. Entretanto, sua atuação não se limitava ao mercado interno; a Casa Picone se destacava na exportação de café e outros produtos nacionais, com exportações anuais aproximadas de 300.000 sacas, direcionadas principalmente para a Europa e os Estados Unidos.
A fortuna da Casa Picone, fruto do trabalho persistente e da sagacidade de Nicolau Picone, firmou-se sobre bases sólidas, refletindo um volume de negócios significativo. A firma ganhou alta reputação tanto no meio comercial quanto no bancário, com um giro anual de capital superior a 20.000 contos de réis (equivalente a R$ 50 milhões).
Para acomodar os produtos, a empresa possuía extensos depósitos na Rua Visconde de Rio Branco, nº 30, bem como uma filial em Campinas, gerida por Luiz Bicudo de Almeida.
Nicolau Picone, originário da Itália, migrou para o Brasil ainda jovem, dedicando-se prontamente ao comércio. Seu empenho, conhecimento nos negócios e austeridade econômica lhe renderam uma posição privilegiada no setor comercial santista. Jacyro Picone, desde 1915 na empresa, ampliou a gestão estabelecida por seu pai, trazendo inovações e novas estratégias. Sua viagem aos Estados Unidos foi um marco, visando fortalecer as relações comerciais e entender melhor as demandas daquele mercado vital.
A Casa Picone mantinha relações comerciais com todos os bancos locais, gozando de um crédito excepcional. O endereço telegráfico da empresa era “Picone”, e ela utilizava os códigos A B e 5ª edição, Leviathan, Lieber’s, Bentley’s, além de códigos particulares, refletindo a sua conexão e profissionalismo no mundo dos negócios internacionais.
A empresa encerrou suas operações no final dos anos 1920.
Enviado por:
Sergio Willians dos Reis



