Os Bersaglieri em Santos
Alessandro La Marmora foi um general do exército italiano e uma importante figura do “Rissorgimento”. Nascido em Turim (1799), Alessandro era o oitavo filho de uma nobre família, os Ferrero della Marmora. Como militar, alcançou a patente de General e esteve presente nos conflitos de Grenoble(1815), Novara (1824), Goito (1848), Mortara e Novara (1849) e também na Guerra da Crimeia (1855).
Um feito memorável de Alessandro foi o de propor e criar companhias especializadas de infantaria, os chamados “Bersaglieri”. A primeira aparição pública dos bersaglieri foi em uma parada militar em 1836, em Turim. O grupamento surpreendeu a todos com a sua marcha rápida de 130 passos por minuto. De fato, em 1836, o regimento impressionou ao rei da Sardenha, Carlos Alberto, que imediatamente integrou os bersaglieri à Armata Sarda.
A primeira atuação dos Bersaglieri em confrontos foi durante a batalha de Goito (1848). Alessandro La Marmora atuou junto aos Bersaglieri também na Crimeia (1855). Ele faleceu acometido de cólera em 1855, mas o seu legado, os Bersaglieri chegaram aos nossos dias e compõem o corpo do exército italiano, como uma tropa de elite: atuaram tanto na I como na II Guerras Mundiais, integraram a Força Multinacional no Líbano (1982), lutaram na Guerra Civil Iuguslava (1991-2001) e também na Guerra do Iraque (2003-2011).
Santos tem história com os Bersaglieri. O primeiro registro que se tem notícia é do imigrante Salvatore Molinari. Natural de San Lucido (1877), emigrou em 1896, estabelecendo residência em Santos. Retornou à Italia no ano seguinte para cumprir o serviço militar obrigatório em Bologna, onde integrou o Corpo dei Bersaglieri. Em 1990, retornou ao Brasil em definitivo. Molinari casou-se com Raphaela Guida, com quem teve 11 filhos. Ele se dedicou ao ramo pesqueiro e chegou a ter uma pequena frota, demonstrando o seu comprometimento e habilidade em se adaptar e prosperar em um novo país. Faleceu em 1942.
A história de Salvatore Molinari nos chegou por meio de um curto relato de sua filha, Maria Molinari Frucci, publicado em 1997 no jornal “Ecco Società Viva”, destinado aos seus associados e que oferecia uma variedade de conteúdos, com destaque às coberturas do campeonato italiano de futebol e as atividades sociais e culturais da Società Italiana di Santos.
Silvio Bergamini, jornalista e professor universitário em nossa cidade, é neto de Bersaglieri, por conta do seu avô, Secondo Todoverto, que integrava o grupamento de elite na Itália quando emigrou em meados de 1910, com sua esposa Lina e os três filhos pequenos do casal, Bianca, Elza e Angelo. Bianca se casou com Osvaldo Bergamini e são os pais de Silvio.
Talvez a presença mais marcante dos Bersaglieri em Santos seja a visita do 6º. Pelotão da 3ª. Companhia do Batalhão de La Marmora, em 1990. Nessa ocasião, desfilaram em um trecho da Avenida Anna Costa, diante autoridades e um publico curioso. Utlizando seu uniforme de gala, os Bersaglieri fizeram demonstrações táticas. O momento alto foi durante a execução do hino nacional italiano e o “Coro degli Schiavi” da Opera Nabuco, de Verdi, pela fanfarra do corpo de Bersaglieri. A comunidade italiana de Santos esteve presente em peso, prestigiando o raro momento e sob saudações de “Viva l’Italia, Viva il Brasile”.
Fontes consultadas:
“Bersaglieri, che nostalgia”, em A Tribuna, 04/12/1993
“Soldados de elite do exército italiano tem presença em Santos. São os Bersaglieri”, por Silvio Bergamini, disponível em
https://presencaitalianaemsantos.com.br/soldados-de-elite-do-exercito-italiano-tem-presenca-em-santos-sao-os-bersaglieri/ consultado em 05/05/2024
“I Bersaglieri”, disponível em https://www.esercito.difesa.it/organizzazione/armi-e-corpi/Fanteria/Le-Specialita/I-Bersaglieri, consultado em 05/05/2024
“Salvatore Molinari”, em Ecco Società Viva, ano 2, novembro de 1997, no. 14, pag. 5 – Acervo da Società Italiana di Santos.
Enviado por:
Giany Gonze Tellini



