Santos e as migrações internacionais
Santos desempenhou um papel de extrema relevância no contexto da exportação centrada na produção cafeeira no final do século XIX. Além disso, por seu porto, constantes fluxos migratórios de europeus desembarcavam para explorar e ocupar os cafezais do interior.
Mas não eram apenas colonos que aqui chegavam, as transações comerciais e toda a logística relacionada à importação e exportação atraiam estrangeiros que vislumbravam as oportunidades locais e se estabeleciam na cidade. Não por coincidência, Santos registrou um notável crescimento demográfico no final dos anos 1800 e primeiras décadas dos anos 1900, junto com as transformações urbanas e socioculturais. Esse salto demográfico também se deve a fixação de europeus migrados. Na virada do século XX, os italianos representavam o terceiro contingente de europeus em Santos, porém, frequentemente eram subestimados frente ao grande número que apenas “passava” pela cidade em direção a outros destinos.
Olhando com mais atenção aos censos demográficos de Santos entre 1870 e 1913, o crescimento populacional é evidente e se deve, em parte, pela imigração. Em 1872, o censo nacional registrou que Santos possuía 7.885 habitantes, dos quais, 710 eram estrangeiros, o que representava 9% da população total. O censo municipal, dessa mesma época, trazia números um pouco diferentes, com uma população total de 9.151 moradores, onde 1.577 deles eram estrangeiros, assim distribuídos:
A população santista, de 9.151 moradores em 1872, salta, segundo estimativas, para 15.605 em 1886 e 50.389 em 1900. No censo de 1913, a população era de 88.967 habitantes e destes, 8.343 eram italianos (9,4% do total), um número realmente expressivo, se comparado com o censo anterior e que demonstra o crescimento da colônia italiana santista durante a fase áurea da Grande Imigração. Provavelmente, grande parte desse contingente de italianos estava envolvida em atividades de serviços e mão de obras, mas também revela a crescente participação italiana na cidade, com uma associação beneficente fortemente estruturada, inclusive como mantenedora de uma escola internacional, com personagens de relevância em diversos campos e a participação efetiva na sociedade, na cultura e no comércio, de maneira geral.
Decifrar a presença italiana em Santos não é uma tarefa fácil, a historiografia é abundante em demonstrar a chegada massiva de imigrantes aos territórios paulistas e as relações de trabalho destes nas fazendas e em toda logística de exportação do café. Já não tão abundantes são os registros das atividades dos italianos em Santos, mas temos fortes indicadores da participação destes no ramo bancário e de transações financeiras relacionados à importação e exportação, nos processos de expansão e modernização dos sistemas ferroviários e marítimos, no comércio interno, no transporte urbano, nos diversos empreendimentos de infraestrutura e proliferação de armazéns, por exemplo.
Resgatar a história de tantos itálicos e italianos em Santos depende de um processo de construção conjunta, à várias mãos, produzindo narrativas e ressignificando espaços, onde não existe fartura de registros e documentos e nem mesmo um “dono da verdade”, apenas descendentes orgulhosos de suas origens, apaixonados por suas trajetórias e obstinados em registrá-las.
Leituras sugeridas
FRANZINA, Emilio – A grande emigração. O êxodo dos italianos do Vêneto para o Brasil
LANNA, Ana Lucia Duarte – Uma cidade na transição. Santos; 1870-1913
LISBOA, Wellington Teixeira – As faces da cidade: migrações históricas no município de Santos
TRENTO, Angelo – Do outro lado do Atlântico. Um século de imigração italiana no Brasil
Enviado por:
Giany Gonze Tellini



