Os primeiros desembarques de imigrantes em Santos
Não sabemos desde quando os italianos começaram a desembarcar em Santos no contexto da Grande Imigração. De certo, apenas o que podemos consultar das listas de bordo digitalizadas. Os primeiros navios com italianos vindos por meio da imigração subvencionada datam de 1888. Neste ano, foram ao menos três desembarques, todos em dezembro: o San Gottardo no dia 5, o Frisia no dia 10 e o Malabar no dia 23.
O San Gottardo, partiu de Gênova em 8 de novembro de 1888, mas nem todos os passageiros elencados no manifesto realmente embarcaram e um total de apenas 43 italianos desembarcaram em Santos. De Santos, todos seguiram para a hospedaria em São Paulo e depois, para o interior Para Araraquara, partiram as famílias Penariol, Brunetto e Cavinatto; para Caçapava, as famílias Bello e Berti; e para Cordeiros, a família Cugola. Chamou a nossa atenção o desembarques de Elizabetta Bertocco e suas filhas Luigia de 22 anos e Maria de 16. Provavelmente, vieram para se reunir com familiares já instalados, em Santos ou em alguma outra cidade, uma vez que no manifesto não havia a indicação da cidade ou do contratante.
O vapor Frisia partiu de Gênova em 10 de novembro e assim como no vapor San Gottardo, nem todos os viajantes embarcaram. Desceram no porto de Santos 192 famílias italianas, que depois seguiram de trem para São Paulo. Consultando a lista de bordo e o registro de entrada na hospedaria, identificamos as seguintes famílias: Alba, Algelon, Ancillotto, Andreal, Andrian, Anversa, Baldo, Baron, Bassani, Basso, Battilana, Bergamin, Bernardelli, Bernardi, Bernardo, Bertasi, Bertini, Berto, Bertola, Bertoldi, Bertolin, Bettiol, Biasi, Bigardi, Biscalchin, Bistafa, Bodini, Boli, Bombasaro, Borsato, Bortolin, Boscolo, Bozzo, Bretan, Caffagni, Caleffi, Camata, Carraro, Castellan, Cavaliere, Cavallaro, Cazzolato, Ceron, Cestari, Chiavegato, Chiavenato, Chiebaó, Chiozze, Conte, Conti, Costantini, Crepaldi, Cuzzolin, da Ré, Dalmaso, de Faveri, de Grandis, de Marchi, de Rosso, Dema, Deo, Dorigon, Fabbian, Facchin, Faccioli, Favaro, Favrin, Feltrin, Ferraresi, Ferrari, Ferrarin, Filippini, , Fillippi, Fornasiero, Fragnan, Fragnon, Franceschetto, Franceschini, Franzolin, Frasson, Fregnan, Furlani, Galli, Gallina, Ganzarollo, Gazzaro, Giraldo, Gottardello, Guarnieri, Guerra, Lanza, Lanzoni, Lazzarini, Linzi, Lira, Lonagto, Longatti, Luison, Luvisari, Marchetti, Marlugo, Masiero, Mastri, Mazzola, Mazzon, Menegazzi, Meotto, Michelazzi, Moretto, Musacci, Naliato, Nataline, Olivato, Onorati, Orlandelli, Pacchiele, Padoan, Pasarin, Passarin, Pavan, Penariol, Pezzoglio, Pin, Pivani, Poggi, Poli, Prear, Precoma, Prudinziato, Reccele, Reginato, Revalon, Righetto, Rigo, Roder, Roder, Romagnolli, Romanello, Rossi, Rosso, Ruzzante, Sacilot, Sagradin, Sanvato, Sarti, Sartor, Sator, Saurido, Scaramuzza, Sighinolfe, Silvestri, Silvestri, Siviero, Sommaggio, Spadini, Squizzote, Stival, Temporin, Tesini, Toffolo, Toniutto, Tonon, Toschi, Trivellato, Valdo, Valese, Valvason, Viel, Vies, Zamprogno, Zanellato, Zanetti, Zanirato, Zecchin e Zenari.
O Malabar chegou em Santos às vésperas do Natal de 1888. Trazia a bordo mais de 300 famílias italianas. De acordo com as listas de bordo e matrículas na hospedaria dos imigrantes, estas são as famílias desembarcadas em Santos, com as grafias tal como constam nos arquivos digitalizados: Abonecca, Amigo, Ammandolo, Antinoro, Antoino, Arbonazi, Ascione, Asquini, Balasme, Balassone, Baratta, Barone, Bassan, Battista, Bellicanta, Bellotti, Bergamin, Bernardo, Berti, Bertona, Bertosi, Bertuno, Bettin, Biagioni, Bianchi, Bianchi, Bianco, Bianco, Biscio, Bisignano, Boccia, Borghese, Botti, Bovo, Brasca, Brassi, Brunetti, Bucci, Caldara, Caldarelli, Calella, Campana, Canadin, Cantoia, Capasso, Cappelli, Carillo, Carolamone, Carrara, Casarin, Cason, Cavasin, Cazzon, Cerbini, Cesarin, Cibola, Cocco, Collagironi, Collia, Coltelli, Consolaro, Contino, Corradini, Corro, Coscia, Curcio, Da Rin, D’Agostino, D’Alessandro, Damin, Dancello, D’Antino, De Cicco, De Manza, De Piazza, De Placido, De Trani, Del Monte, D’Emilio, Di Fini, Di Ruscio, Di Sunta, Di Zinno, Donega, Durazzo, Erbeta, Evangelista, Federico, Ferrari, Ferrazzano, Ficurilli, Fognato, Fontaneto, Fortini, Franceschina, Franceschini, Frenn, Galasso, Galato, Gardelli, Gardinlo, Garezzo, Gargano, Gavin, Gazzo, Ghirardini, Giannetti, Giardinetti, Giaretta, Gionnini, Girardi, Gozerro, Grande, Grandesso, Guariglia, Guarino, Guerra, Guido, Guighano, Guigliano, Gullo, Igni, Imondi, Inglese, Irconcro, Izzarelli, Kisner, La Gatta, La Porta, La Vela, Lanza, Lapasin, Lazzarini, Leone, Lotterio, Lotto, Lupo, Magris, Maida, Malvestuto, Mancuso, Manetta, Manselli, Marchese, Marchetti, Mariani, Marimi, Marinara, Marinucci, Martelli, Mascaro, Mascolo, Masut, Mavin, Mazzitelli, Mazzocca, Messano, Miranda, Modica, Moriva, Mormorato, Muneratti, Muraca, Nalon, Natale, Netti, Niceta, Nicoli, Notari, Nuaro, Oliva, Ongaio, Ortolan, Padazzolo, Pagano, Paglia, Palazzo, Pallaro, Palumbo, Pandolfo, Paolille, Paparelli, Paradiso, Pascali, Patron, Pavano, Peduto, Pegoraro, Percessian, Pergoraro, Perreca, Perri, Pesce, Pettenazzi, Piano, Pieri, Pietrunti, Pigelitto, Pisaniello, Polesello, Poleto, Polosello, Poniolo, Pucci, Ragazone, Rampini, Ranieri, Ricego, Rigo, Rinaldi, Roccato, Rodio, Rolli, Romanelli, Romano, Rontani, Rossetto, Rufo, Ruggiero, Ruroletti, Russolello, Saccon, Salvan, Salvati, Sambucaro, Santilli, Santoro, Sartori, Saturno, Sbarra, Scacchelli, Scaffini, Scarabello, Scattoraggio, Schiavetto, Severimi, Sgroi, Simonetti, Siniscalchi, Spagnuol, Speranza, Spezzati, Spitaleri, Spiteri, Staffa, Stella, Storani, Strapazzon, Tacadoro, Taddeo, Talarico, Tamborini, Tamiazo, Terlezzi, Tilli, Tolino, Torre, Toso, Tosso, Tropeano, Vanaria, Vannucci, Veltri, Vernieri, Vettorazzo, Vicino, Vilardi, Vinci, Viscione, Vita, Volpato, Volpi, Zacchelli, Zacchetto, Zamperlin, Zampillo, Zanella, Zanin, Ziccardi, Zola, Zozzi, Zucchi, Zumpano e Zunato.
Dezembro de 1888 não deve ter sido fácil para os santistas e os recém-chegados! Para contextualizarmos, a expansão da produção cafeeira no Oeste Paulista demandava de vias de escoamento. A ferrovia da São Paulo Railway convergia para o porto de Santos, que centralizava a maior parte das exportações brasileiras de café. O porto também estava na rota dos vapores que vinham da Europa e por ele circulavam expressivos contingentes de viajantes, imigrantes e migrantes. Os problemas urbanos, que já eram grandes devido à falta de estrutura, com ruas estreitas e com intenso tráfego de carroças, só se agravavam com o número de cocheiras e cortiços que se multiplicavam. Isso sem falar do porto propriamente dito, composto por trapiches antigos e malconservados, totalmente insuficientes para o intenso movimento marítimo, resultando em lentidão no embarque e desembarque e períodos prolongados de permanência de navios fundeados aguardando autorização para atracarem.
A precarização era tanta, que resultava em epidemias, tendo como principais vítimas a população pobre e os imigrantes não aclimatados e, portanto, mais vulneráveis. Os períodos de “quarentena” no navio e a falta de estrutura para receber o grande contingente de imigrantes deve ter sido o martírio para os italianos. Eles haviam deixado sua terra natal, acreditando nas promessas dos agentes da imigração e, após atravessarem o oceano em porões superlotados, desembarcavam em meio ao caos do porto santista!
Até onde pudemos pesquisar, não encontramos evidências de que algum dos viajantes dos três primeiros vapores atracados em Santos tenham permanecido na cidade. Tanto o San Gottardo como o Frisia tinham em seus manifestos indicações de que os viajantes seguiram para São Paulo. Em relação ao Malabar, nenhuma informação é dada no manifesto quanto à destinação dos imigrantes. O número de viajantes solitários era considerável, o que nos permitiu especular que talvez fossem atraídos pela crescente mão de obra demandada pelas operações portuárias, pela iminente modernização do porto e por toda necessidade de melhorias na cidade – porém, ao confrontarmos com as matrículas na hospedaria, nossa hipótese não se sustentou.
De concreto, Santos já contava com o vice-consulado italiano e com uma pequena, mas economicamente ativa colônia, que tentava se organizar para assistir aos conterrâneos que chegavam e que chegariam em números cada vez maiores ao longo das próximas décadas.
Leituras recomendadas:
CARMO, Bruno Bortoloto do – Um porto maldito: epidemias, cotidiano e medo. Santos (1880-1900)
LANNA, Ana Lucia Duarte – Uma cidade em transição. Santos: 1870-1913
De AMICIS, Edmondo – Em alto mar, 1889.
Para listas de bordo e matrículas na Hospedaria do imigrante, consultar o Museu da Imigração do Estado de São Paulo.
Enviado por:
Giany Gonze Tellini



